Bradesco continua cobrando metas abusivas durante pandemia

22 de maio de 2020

Além das metas, os bancários dos PA’s estão sofrendo com o descaso, sem assistência e fora de rodízio

O Sindicato tem mantido contato com os bancários do Bradesco, que trabalham em Postos de Atendimentos (PA’s), nas cidades circunvizinhas da base de Campina Grande, para saber das condições de trabalho neste período de pandemia e oferecer assistência.

Os relatos são absurdos e com certeza a situação deve ser a mesma em todas as regiões do país. Os funcionários alegam sentimento de abandono por estarem, na maioria das vezes, isolados, trabalhando sozinhos, sob pressão e fora de qualquer rodízio. 

A exposição desses profissionais é muito grande, os PA’s são postos sem vigilantes e, na maioria dos casos, funcionam em pequenos espaços. Obrigando o trabalhador a ter que se virar para controlar o fluxo de pessoas e atender a demanda sozinho.

“Trabalhar em PA já é perigoso em dias normais, imagine nesse período de pandemia onde, além do problema do vírus, as pessoas estão mais agressivas. O risco de contaminação e de sofrer violência física é muito grande”, frisou Esdras Luciano, presidente do Sindicato.

Além de tudo isso, a pressão por metas não para, inclusive, uma das metas do momento é a de empréstimo consignado. Há casos que os bancários são obrigados a irem na casa do cliente para colher a assinatura em documentos.

É desumano cobrar que as pessoas batam metas em um período como este, onde ninguém está pensando em comprar produtos bancários, mas sim em se prevenir, cuidar da sua saúde e de seus familiares.

Antes mesmo desses relatos, o Sindicato já havia externado sua preocupação com a situação desses profissionais em conversa com o Gerente Regional. Além disso, encaminhamos o caso ao Comitê de Crise formado por representantes do Comando Nacional dos Bancários e da Fenaban, para que o caso chegue a direção do banco e medidas possam ser tomadas.

Fora as metas abusivas, há relatos ainda de que o banco não tem liberado bancários com doenças crônicas ou que coabitam com pessoas considerados grupo de risco para o Covid-19.

“Em uma época de crise profunda como esta que vivemos, é desumano não compreender que pessoas tenham necessidades como essas, de cuidar da própria saúde, de cuidar da família. É preciso que, para além de qualquer coisa, os gestores do Bradesco sejam solidários para com seus colegas de trabalho. O Bradesco não deve brincar com a vida de seus trabalhadores”, destacou Esdras.

Fonte: Seeb_CGR