CEE/Caixa cobra respeito e transparência com os empregados

4 de dezembro de 2020

Em reunião da mesa permanente, Caixa não reconheceu que esteja havendo uma reestruturação no banco e afirmou que a ação seria uma continuidade do movimento que estaria ocorrendo desde o ano passado

A primeira reunião da mesa permanente entre a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e a direção da Caixa aconteceu nesta quinta-feira (03). A Comissão iniciou o debate protestando contra a charge publicada no jornal A Tarde, da Bahia, que criticou os empregados da Caixa. A CEE criticou a falta de posicionamento do banco na defesa da empresa e seus empregados. A reunião discutiu também temas como o teletrabalho, banco de horas, metas e contratações.

Houve um protesto contra a reestruturação e a direção da Caixa afirmou que não está ocorrendo uma reestruturação e sim um movimento de mudanças que teria ocorrido por conta da necessidade de reduzir custos além de reorganização interna. Não ficou claro para os representantes dos trabalhadores se houve planejamento prévio e diálogo entre as vice-presidências (VPs), uma vez que ocorreram informações desencontradas durante o debate.

“É necessário ampliar o debate sobre os cuidados que a Caixa precisa ter com os colegas. O que está havendo é uma falta de respeito com os empregados e suas trajetórias. A falta de informação está afetando a saúde dos colegas. Os trabalhadores estão ainda mais ansiosos sem saber o que irá acontecer, e não podemos esquecer que ainda estamos vivendo no meio de uma pandemia.”, afirmou a coordenadora da Comissão Fabiana Uehara Proscholdt.

A CEE ressaltou a importância de a Caixa ter reforçado a mesa de negociação, com a presença de diversas áreas. Isso possibilitou que as questões fossem sanadas de forma mais rápida e direta.

A Comissão questionou as mudanças nas áreas do banco e a falta de planejamento nestes processos. “A categoria está muito sofrida. Deem transparência. Deem suporte aos colegas. As pessoas aguentam mais. Seja em área meio, seja em agência”, ressaltou o representante da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe (FEEB SE/BA) e membro da CEE, Emanoel Souza.

Em outro questionamento, a CEE destacou a aparente falta de estudos sobre a entrega dos prédios e mudanças das unidades. “Não temos clareza de que esse movimento vai se traduzir em alguma vantagem para a Caixa, na questão de economia contratual ou melhorias de processos e em especial pros próprios empregados.”, reforçou o representante da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (FEEB-SP/MS) e membro da CEE, Carlos Augusto Silva.

O banco informou que há uma diretriz de não trocar as pessoas de municípios. A CEE pleiteou uma mesa específica para tratar do tema o mais breve possível. Mas ainda não houve retorno.

Teletrabalho

O debate sobre o teletrabalho entre os empregados e a direção da Caixa esbarrou no controle da jornada, item no qual o banco informou que não quer clausular o controle. A proposta apresentada pelo banco sobre o teletrabalho foi de um modelo híbrido – parte presencial, parte em home office, definido de acordo com pesquisa realizada pelo banco.

A proposta apresentada pela Caixa não permite o controle de jornada. Eles argumentaram que o aumento na flexibilidade iria proporcionar, por exemplo, mais autonomia para os empregados. Um outro item reforçado pela representação dos empregados é que o teletrabalho seja opcional pelo empregado e não uma imposição da empresa.

Segundo a CEE, a falta do controle de jornada pode gerar problemas na saúde do trabalhador e até no pagamento das horas extras. “Precisamos pensar muito sobre o teletrabalho. Sabemos de muitos empregados que estão muito cansados devido a jornada extensiva e as metas abusivas. A ausência do ponto eletrônico é muito grave, pois a longo prazo isso pode agravar os problemas de saúde dos empregados. O colega tem que ter direito a desconexão”, avaliou Fabiana Uehara Proscholdt.

A Comissão também cobrou da Caixa proposta de ressarcimento das despesas com energia elétrica e internet.

Banco de horas

A proposta apresentada pela Caixa iria possibilitar que os empregados pudessem trabalhar duas horas a mais por dia em determinada semana para realizar a compensação de um dia completo, para assuntos de seu interesse, podendo prorrogar as licenças permitidas, após negociação com o gestor.

A CEE aponta que o momento atual, com pagamento do auxílio emergencial e abertura das agências aos sábados, com enorme sobrecarga de trabalho, dificulta a discussão do tema, mas que fará análise e construirá alternativas junto com as entidades e empregados.

Contratações

A CEE/Caixa já havia enviado um ofício cobrando a direção do banco para mais contratações. Com o PDV e sem reposição aumentará a sobrecarga para todos os trabalhadores.

A Caixa informou não haver autorização da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) para fazer mais contratações. Além disso, os representantes da direção do banco afirmaram que o perfil dos clientes tem mudado para um modelo mais autônomo e menos dependente das agências, e que, até o momento, não há a previsão do fechamento de unidades, que é algo que poderia recompor as equipes das unidades restantes.

Recolhimento das funções

A CEE questionou o recolhimento das funções de empregados que aderiram ao PDV. A Caixa respondeu que tal movimento já teria ocorrido em PDVs anteriores, e que as funções consideradas estratégicas não seriam recolhidas. Caixas, Tesoureiros, Assistentes e outras, não foram consideradas estratégicas pela empresa.

PQV

A Caixa apresentou o Programa de Incentivo às Práticas de Vendas (PQV). A Comissão destacou que o programa responsabiliza o empregado que trabalha para alcançar as metas abusivas impostas pela própria Caixa. Devido ao horário extenso da reunião, o assunto ficou pendente e ainda será debatido mais profundamente em uma próxima mesa de negociação.

Outras decisões:

– O trabalho remoto continua até o dia 30 de janeiro de 2021

– A CEE reivindicou a renovação do acordo da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), que vence em 31/12/2020. A Caixa respondeu que está alterando a minuta e irá submeter à Comissão, que solicitou que o processo seja agilizado.

– Houve cobrança ainda sobre a readequação das metas pois os empregados estão já estafados

– A CEE solicitou novamente a não abertura das agências aos sábados. Houve um compromisso em mesa de negociação por parte da Caixa de que iria negociar junto ao governo um calendário que não necessite do trabalho aos sábados.

– A Comissão pediu ainda um reforço nos protocolos contra o Covid19 nas unidades

– GT Promoção por Mérito: Questionada pela CEE, a Caixa respondeu que deve agendar uma data para a próxima semana.

– GT Saúde Caixa: A Caixa respondeu que houve uma reestruturação na área, e que deve agendar a reunião para os próximos dias.

Fonte: Fenae