Dirigentes condenam o desmatamento da Amazônia

Mulheres sindicalistas reunidas no Comitê Executivo UNI Americas apresentam moção de repúdio protestando contra o aumento do devastação e o afrouxamento da fiscalização, comprovados por números, no governo Bolsonaro

Site do Inpe com visualização do desmatamento acumulado (em amarelo) na Amazônia Crédito: Inpe

 

Estimativas realizadas por pesquisadores do INPE mostram que, no governo Bolsonaro, o desmatamento na região pode aumentar para 25,600 quilômetros por ano. 

Se a projeção se confirmar, o crescimento será de 268% em relação a 2017, com 6.947 km2 desmatados, chegando a níveis semelhantes aos registrados no início dos anos 2000, mas com o agravante da do aumento da demanda por commodities como  carne e soja. 

Em uma década, isso seria o equivalente a área do Reino Unido inteira em desmatamento.

A realidade já confirma esse aumento. O desmatamento na Amazônia em julho cresceu 278% em relação ao mesmo mês em 2018. 

Ao mesmo tempo, o governo Bolsonaro vem afrouxando a fiscalização, de acordo com dados do Ibama.  O órgão comandado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo), diminuiu em 29,4% as autuações até o dia 23 de agosto, quando comparado com o mesmo período de 2018.  Os dados levam em conta as infrações de todo o território nacional.

Diante dessa realidade que afeta o mundo todo, o comitê de mulheres da UNI Americas apresentou, na reunião desta quarta-feira 28, uma moção de repúdio ao desmatamento e às queimadas na Amazônia. O texto foi incorporado às resoluções do 22º Comitê Executivo UNI Americas, que está reunido em Montevideo, capital do Uruguai.  

“Um dos crimes do governo brasileiro é esconder e deixar impune os criminosos que foram responsáveis por essa queimada. Não há como negar que o agronegócio predador é responsável pelas queimadas, para promover principalmente a pecuária e aumentar seus investimentos”, diz trecho do documento. 

A UNI Americas é o braço continental da UNI Global, sindicato mundial que representa mais de 20 milhões de trabalhadores de 900 entidades do setor de serviços em diversos países do mundo, entre elas o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

“A situação da Amazônia e de outros biomas brasileiros sempre foi preocupante devido à impunidade histórica desfrutada pelos grandes latifundiários, que no Congresso Nacional têm cerca de 30% de representantes, quando totalizam cerca de 1% da população. E agora esse cenário piorou diante de um governo que foi eleito com um discurso que legitima o desmatamento”, afirma Neiva Riberio, vice-presidenta da UNI Mulheres e secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Leia a moção na íntegra

Moção de repúdio ao desmatamento e as queimadas na Amazônia 

Trabalhadoras reunidas no 20ª Reunião do Comitê UNI Américas Mulheres repudiam o desmatamento e as queimadas ocorridas na Amazônia. 

A região que concentra a maior floresta tropical do mundo está passando por uma crise decorrente das diversas queimadas que estão destruindo a mata. Imagens de animais mortos e da mata em chamas chamaram a atenção nas redes sociais e nos noticiários do Brasil e do mundo. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2019 mais de 53 mil focos foram registrados no Norte do País e em parte do Maranhão. As queimadas foram responsáveis pelas cinzas que chegaram até a cidade de São Paulo e encobriram o céu da capital.

Pesquisadores da Nasa que monitoram focos de queimada no planeta afirmam que seus dados sobre o Brasil estão consistentes com o aumento abrupto que o Inpe vem reportando nas últimas semanas.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e seus ministros do Meio Ambiente, Ricardo Sales, e de Relações Internacionais, Ernesto Araújo, minimizaram o problema e chegaram a afirmar que tudo não passava de Fake News e de sensacionalismo. Bolsonaro chegou a culpar Ongs que perderam investimentos federais e que estariam colocando fogo de propósito pra prejudicar o governo.

Mas não é isso que diz a imprensa internacional, como The Guardian, Financial Times e The Economist, The Washington Post, Financial Times, El País, Le Monde, Deutsche Welle, entre outros. O que grande parte do  mundo diz é que Bolsonaro e seus ministros já deixaram claro que são porta-vozes dos ruralistas e madereiros.

Um dos crimes do governo brasileiro é esconder e deixar impune os criminosos que foram responsáveis por essa queimada. Não há como negar que o agronegócio predador é responsável pelas queimadas, para promover principalmente a pecuária e aumentar seus investimentos.

A destruição invade os rios e a biodiversidade, com a contaminação das águas, do ar e dos solos. Tudo isso deve ser tratado como crime ambiental. É necessário multar e punir a expansão do agronegócio econômico na região. Parte da agricultura brasileira já entendeu que tem de proteger floresta, que é necessário implementar o Código Florestal, e fazer uma pecuária sustentável. A outra parte, infelizmente, coloca o lucro acima de tudo. Mas a sociedade não aceita mais. É preciso compreender a importância da Amazônia, de dimensões continentais.

Essa semana, o índice de desaprovação de Bolsonaro aumentou de 28,2% para 53,7%, entre fevereiro e agosto deste ano. Porque não houve integridade política, moral, liderança, protagonismo nessa crise de preservação da Amazônia. 

O desenvolvimento do país está atrelado ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, com preservação da floresta e melhoria das condições de vida dos brasileiros que ali vivem. E essa Amazônia preservada é imprescindível para que o país ganhe mais importância nacional e internacional. 

A defesa da floresta tem de ser a prioridade de todos os trabalhadores. Além da luta por direitos sociais e uma vida livre de violência, é essencial um mundo sustentável para nossas gerações futuras. Não podemos deixar o capitalismo predatório destruir o planeta para aumentar a riqueza de uma minoria. Nesse momento é preciso a união de todos para uma pauta humanitária, pela sobrevivência do planeta.  

Trabalhadoras UNI Américas Mulheres.

Montevideo, 21 de agosto de 2019 

Fonte: Redação Spbancarios