Dúvida na ameaça da Caixa e BB em sair da Febraban

30 de agosto de 2021

Nos meios políticos e financeiros, o fim de semana foi marcado pela notícia de que o governo Bolsonaro pretende retirar a Caixa e o Banco do Brasil da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos). A pretensão não se deve a nenhum motivo de defesa da sociedade, para facilitar o acesso ao crédito, reduzir os juros, obrigar melhor atendimento nas agências. Nada disso.


Pelo contrário, trata-se de uma ameaça do governo, pelo fato de a Febraban ser uma das mais de 200 entidades signatárias da nota pública que a Fiesp prometia divulgar nesta terça-feira (31/08), condenando os seguidos ataques de Bolsonaro às instituições, mas decidiu transferir para depois do 7 de setembro, por interferência do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL).


Não que o sistema financeiro esteja preocupado com a democracia, a dramática realidade social do país, mas pelo fato de Bolsonaro estar prejudicando, e muito, os negócios. Só isso.


Acontece que na realidade atual, em que o próprio governo não apenas apoiou como protagonizou a independência do Banco Central, ou seja, tirou do Estado brasileiro o poder de definir a política econômica, entregando-a de mão beijada aos banqueiros, a Caixa e o Banco do Brasil precisam bem mais da Febraban do que a entidade necessita dos dois bancos públicos. Infelizmente é a pura realidade.


A intenção de Bolsonaro é contra-atacar, tentar barganhar com os donos do dinheiro, a fim de ganhar tempo para mostrá-los que ele é a única saída pelas urnas para salvar a agenda ultraliberal. Em outras palavras, o presidente usa o BB e a Caixa para redução de danos no projeto de reeleição. É o que a realidade deixa transparecer.

Fonte: Seeb_Bahia