Na pandemia, bancos demitiram com vontade

5 de janeiro de 2021

Nem mesmo na pandemia de Covid-19 e o compromisso firmado com os sindicatos de suspender as demissões enquanto a crise sanitária durar, fizeram os bancos pegar leve. Pelo contrário. Mais de 12 mil bancários foram demitidos somente em 2020.

O Bradesco, Santander e Itaú lucraram, sozinhos, R$ 35,7 bilhões até setembro do ano passado, mas nada impediu que as empresas demitissem em torno de 5 mil pais e mães de família desde março. Em abril, os desligamentos caíram para 930. Uma queda de 58% em relação a março, mas em junho voltaram a subir, segundo o Dieese. 

Para se ter ideia, o Santander colocou 2.672 funcionários para fora no ano passado, sendo que 1.201 apenas entre junho e setembro. O banco espanhol foi primeiro a demitir durante a pandemia. Depois foi o Itaú, que fez mais de 200 empregados demitidos. Sem cerimônia, o Bradesco começou com a demissão em massa no início de outubro. Em menos de um mês, foram mais de 800 bancários demitidos. Este ano, a campanha dos sindicatos contra os desligamentos arbitrários será mantida. 

Os bancos tentam justificar as demissões na pandemia por conta do aumento das operações pelo celular e pela internet, mas as filas nas agências demonstram que novos funcionários deveriam ser contratados. Sem se preocupar com o déficit já existente, a Caixa ainda abriu um PDV em novembro voltado para quase 10% do quadro de empregados (7,2 mil pessoas).  Mas, o banco não informou quantos bancários aderiram ao Programa de Demissão Voluntária.