Jogo Duro

Em tempos de Copa do Mundo, no qual o ‘futebolês’ torna-se uma linguagem quase universal, vamos bater bola sobre a Campanha Nacional dos Bancários.

 

É difícil para nós, que vivemos num país cuja influência do esporte é tão forte, não nos envolvermos com a maior competição do esporte mais popular do planeta. Acompanhar os jogos é interessante, porém, temos de ter a consciência que o jogo que efetivamente nos interessa está sendo jogado em outros campos.

 

As discussões da Campanha Nacional da categoria já foram iniciadas e novamente estamos no meio de um grande clássico. É jogo duro, como sempre foi. Nos últimos anos, com um time forte, unido e aguerrido, conseguimos bater o adversário, conquistando novas cláusulas no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e implantando a política de reajustes consecutivos acima da inflação. Porém, com a reforma trabalhista os bancos ganham um novo fôlego e podem querer contra-atacar.

 

As medidas adotadas pelo governo Temer e seus aliados têm resultado em consequências drásticas para a classe trabalhadora. A reforma trabalhista sugere maior atenção e forte mobilização. De acordo com dados do Dieese, houve uma redução nos acordos coletivos fechados em negociação por empresa e queda maior nas convenções coletivas que são negociadas por categoria.

 

A vigência da atual CCT  vai até o dia 31 de agosto próximo. Com o fim da ultratividade, a partir do dia primeiro de setembro todas as nossas conquistas estão ameaçadas.

 

É oportuno lembrar que assim que a reforma trabalhista de Temer foi aprovada houve banco que já tratou de implantar alguns itens da mesma, como acordo individual de banco de horas e homologações à revelia do Sindicato.

 

Esta é uma Campanha que se difere das demais, por ser a primeira que acontece depois da aprovação da Reforma Trabalhista. São vários os pontos cruciais para que possamos alcançar uma nova vitória. É preciso seguir à risca o manual.

 

Desde a entrega da minuta à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), o Comando Nacional dos Bancários está cobrando  a assinatura de um pré-acordo de  ultratividade dos nossos direitos, ou seja, que a Convenção Coletiva de Trabalho continue valendo até a assinatura de um novo acordo. Na primeira negociação, realizada no dia 28 de junho,  os bancos não apresentaram resposta para o pré-acordo que garantiria os direitos.

 

As principais reivindicações da categoria são:  aumento real, PLR maior, defesa da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para todos, manutenção dos direitos, dos empregos e que qualquer tipo de alteração na forma de contratação seja via negociação coletiva.

  

Por mais que alguns tentem, não há como dissociar nossa Campanha do atual cenário político do país. Há sim, uma luta entre a  classe dominante, que após o Golpe de 2016  busca cortar direitos e conquistas históricas dos empregados, e da classe trabalhadora, que conseguiu avanços nos governos progressistas e luta para mantê-los. É necessária uma visão mais ampla e crítica do momento que estamos vivendo, principalmente relacionada às eleições que se aproximam, pois as mesmas constituem-se na única alternativa da classe trabalhadora se contrapor ao projeto que aí está.

 

Apesar do turbulento cenário econômico e político que o país atravessa no pós-golpe, a crise não é para todos. Os bancos continuam lucrando astronomicamente, numa prova cabal que reúnem condições de atender os pleitos da nossa categoria.

 

A unidade e a participação de todos os bancários resultarão na vitória da Campanha do Nenhum Direito a Menos. É hora de pressionar o adversário e marcar os gols necessários para mais uma grande vitória. Para isso, vamos precisar de todo mundo, pois um mais um sempre será mais que dois. Todos por direitos. Resistir e vencer!

 

Rostand Lucena

Presidente do Sindicato