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Após seis rodadas, empregados cobram da Caixa avanços nas principais reivindicações

17/08/2026

Saúde Caixa segue como principal impasse; CEE obteve avanços na Promoção por Mérito e suspensão da migração de caixas e tesoureiros, mas cobra respostas sobre carreira, remuneração variável, condições de trabalho, emprego e valorização

As negociações específicas entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal e o banco chegam a uma etapa decisiva da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Depois de seis rodadas realizadas entre 8 de julho e 14 de agosto, houve avanços em pontos importantes, como a Promoção por Mérito e a suspensão do processo de migração de caixas e tesoureiros. Mas reivindicações centrais para as empregadas e empregados permanecem sem solução, principalmente o Saúde Caixa, além da necessidade de novos planos de cargos e funções, remuneração variável justa, melhores condições de trabalho, mais contratações e combate às metas abusivas e ao adoecimento.

A pauta levada à mesa não surgiu durante as negociações. Ela é resultado de um processo de construção coletiva que passou pela Consulta Nacional dos Bancários, com 54.952 respostas, pelos encontros estaduais e regionais, pela 28ª Conferência Nacional dos Bancários e pelo 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa (Conecef). Realizado em junho, em São Paulo, o congresso reuniu 281 delegadas e delegados e analisou 583 propostas apresentadas pelas bases. A minuta específica foi entregue à Caixa em 24 de junho e orienta a negociação do ACT para o período de setembro de 2026 a agosto de 2028.

A pauta específica complementa as reivindicações nacionais dos bancários. A própria minuta unificada da categoria inclui entre seus eixos remuneração variável, emprego e garantias diante das mudanças tecnológicas, jornada e trabalho a distância, além de metas, assédio e saúde do trabalhador.

Para a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, o processo negocial precisa agora se traduzir em respostas concretas. A cobrança feita ainda na segunda rodada continua atual: “Não basta ouvir as reivindicações. Os empregados esperam respostas e avanços.”

Saúde Caixa é o principal impasse

O Saúde Caixa ocupa o centro das negociações desde a primeira rodada, em 8 de julho. Na ocasião, dados apresentados pelo próprio banco mostraram que, em 2025, o plano teve R$ 4,387 bilhões em despesas totais, enquanto a participação da Caixa ficou limitada pelo teto estatutário de 6,5% da folha de pagamentos e proventos. A representação dos empregados reiterou a reivindicação para que a Caixa restabeleça efetivamente a proporção histórica de custeio de 70% pela Caixa e 30% pelos usuários.

O problema está inscrito no Estatuto Social da Caixa, que determina que a participação da Caixa seja limitada a 6,5% da folha. Para os titulares do plano de saúde, o acordo em vigência estabelece mensalidade de 3,5% da remuneração-base, cobrança por dependentes e limite familiar de 7%.

A trava de 6,5% da folha salarial, imposta no Estatuto Social da Caixa, impede que a proporção 70/30 seja cumprida na prática. Em 2025, considerando as contribuições regulares, os beneficiários arcaram com aproximadamente 46% do financiamento do plano, enquanto a Caixa respondeu por cerca de 54%.

A quinta rodada, realizada em 5 de agosto, aprofundou o impasse. A Caixa apresentou uma proposta que elevaria a contribuição do titular de 3,5% para 5,5% da remuneração-base; a mensalidade do dependente direto de R$ 480 para R$ 870; a do dependente indireto de R$ 480 para R$ 930; e a dos filhos de 24 a 27 anos de R$ 800 para R$ 1.050. O limite de comprometimento da renda familiar subiria de 7% para 14%. A proposta foi recusada por unanimidade pela representação dos empregados.

O diretor executivo da Contraf-CUT e representante da entidade na mesa de negociação, Lívio Santos e Assis, sintetizou a crítica ao modelo apresentado: “A Caixa protege o seu teto e manda a conta para o empregado.” Para ele, fazer o ajuste por meio de aumentos dessa magnitude significaria redução da renda e ameaça ao direito à saúde.

Na sexta rodada, em 14 de agosto, o banco mudou a proposta, mas não resolveu o problema central apontado pela CEE. A nova proposta passou a prever mensalidades por faixa etária, 13 cobranças anuais, piso de R$ 400 por grupo familiar e comprometimento de até 12% da remuneração-base. A CEE também recusou essa alternativa por entender que ela continua concentrando sobre os usuários a responsabilidade pelo crescimento dos custos, rompe o pacto intergeracional e pode estimular a saída de beneficiários.

O risco é concreto. Dados apresentados pela Caixa apontam que, entre 2023 e fevereiro de 2026, houve 20.056 adesões e 35.446 cancelamentos, com perda líquida de 15.390 beneficiários. Para a representação sindical, tornar a mensalidade ainda mais pesada, sobretudo para as faixas etárias mais elevadas, pode acelerar a saída de usuários, reduzir a base mutualista e agravar o próprio desequilíbrio que a mudança alegadamente pretende solucionar.

Carreira: avanço na Promoção por Mérito, mas PFG e PCS precisam mudar

Carreira e valorização profissional também atravessaram diversas rodadas. Na terceira reunião, em 23 de julho, a CEE cobrou a elaboração de um novo Plano de Funções Gratificadas (PFG), um novo Plano de Cargos e Salários (PCS) e regras objetivas, transparentes e democráticas para os Processos Seletivos Internos (PSIs). A reivindicação inclui ainda a correção das distorções existentes na estrutura de funções e a retomada de perspectivas de desenvolvimento profissional.

Na quarta rodada, em 31 de julho, a CEE rejeitou a primeira proposta da Caixa para a Promoção por Mérito. O modelo exigia dez ações para o primeiro delta e outras dez para o segundo, além de vincular a progressão ao Alcance.Caixa. Cada delta representa, em média, um acréscimo de 2,31% no salário-base dos empregados elegíveis, com efeito permanente sobre a estrutura salarial.

A mobilização produziu resultado. Em 14 de agosto, o banco retirou o Alcance.Caixa dos critérios e garantiu o pagamento dos deltas referentes aos anos-base 2026 e 2027, respectivamente, em janeiro de 2027 e janeiro de 2028. A realização do pagamento em janeiro é uma reivindicação histórica da representação dos empregados porque garante que a nova referência salarial produza efeitos durante todo o ano.

O avanço, porém, não encerra a discussão sobre carreira. A CEE continua reivindicando um novo PFG e um novo PCS negociados com os trabalhadores, correção das distorções entre funções, fim das designações por minuto, valorização das atividades efetivamente exercidas e PSIs com critérios claros e conhecidos previamente. Também é reivindicada nova oportunidade de migração para empregados ainda vinculados ao PCS de 1998.

Super Caixa e PLR Social

A remuneração variável é outro eixo importante da pauta. A CEE defende que o Super Caixa e quaisquer programas que interfiram na renda das empregadas e empregados sejam previamente negociados com a representação sindical. Entre as reivindicações estão transparência integral das regras, proibição de mudanças durante o ciclo de apuração, tratamento isonômico entre rede, centralizadoras, áreas-meio e matriz e aplicação do princípio “vendeu, recebeu”.

A representação sindical também reivindica a retirada de indicadores como Negócios Sustentáveis (NS) e satisfação dos clientes (CSAT) como redutores das premiações. Para a CEE, indicadores que escapam ao controle individual do empregado não podem anular a remuneração gerada pelo trabalho realizado.

Na PLR Social, a minuta específica reivindica parcela equivalente a 6% do lucro líquido da Caixa, distribuída linearmente, sem limite individual e sem compensação com a regra geral da PLR. A CEE também cobra o 1% da PLR Social referente a 2020 que deixou de ser pago em 2021.

Trabalho, saúde e organização do banco

As negociações também colocaram no centro da mesa problemas enfrentados diariamente nas unidades. Na segunda rodada, em 17 de julho, a CEE cobrou respostas para acabar com o limbo previdenciário em casos de licença para tratamento de saúde, fortalecimento das Gerências de Pessoas (Gipes), teletrabalho, substituição em cascata e mecanismos para atender empregados superendividados. O banco, naquele momento, não apresentou respostas concretas para esses pontos.

No teletrabalho, a reivindicação é de uma cláusula específica no ACT, com regras estáveis e negociadas, respeito à jornada, direito à desconexão, direitos equivalentes aos do trabalho presencial, ajuda de custo e atenção às especificidades de áreas como tecnologia. Outra reivindicação é com relação à prioridade para PCDs, além da adequação de jornada para PCDs e para pais/responsáveis por PCDs.

Na substituição em cascata, a CEE cobra reconhecimento e remuneração desde o momento em que o empregado assume responsabilidades de uma função superior.

A terceira rodada também expôs os problemas do atendimento “figital” e da ferramenta Genesys, que obrigam trabalhadores a conciliar demandas presenciais e digitais sob cobrança de metas e indicadores. A CEE relaciona esse modelo à sobrecarga e ao adoecimento e cobra avaliação dos riscos ocupacionais, além de mais contratações para recompor o quadro.

Emprego é, aliás, um dos pilares da minuta. A categoria reivindica contratação de mais trabalhadores, recomposição das unidades, novos concursos e manutenção de uma estrutura adequada de atendimento presencial. Para o movimento sindical, defender o quadro de pessoal também é defender a função social da Caixa e sua capacidade de atender a população e executar políticas públicas.

A pauta inclui ainda igualdade de oportunidades, equidade racial, inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes e combate a todas as formas de discriminação e assédio. Os dados apresentados pelo próprio banco durante a terceira rodada reforçaram as desigualdades existentes: embora as mulheres representem 44,25% do quadro, ocupam apenas 29,12% das chefias de unidade; pessoas negras também estão sub-representadas nos níveis de comando.

Migração de caixas e tesoureiros é suspensa

A sexta rodada trouxe outro resultado importante. Após cobrança da CEE, a Caixa suspendeu o processo iniciado para migração de caixas e tesoureiros para outras funções. A representação sindical havia criticado o fato de os trabalhadores terem sido chamados a manifestar interesse sem que o projeto tivesse sido previamente apresentado e negociado.

O banco reconheceu o problema na forma como o processo foi iniciado e informou que ele permanecerá suspenso enquanto estiver em negociação. Também se comprometeu a apresentar o projeto detalhadamente à representação dos empregados. Para a CEE, a discussão não pode ser tratada isoladamente: ela precisa fazer parte da construção de um novo PFG, com atribuições, responsabilidades, remuneração e regras de movimentação claramente definidas.

Avanços precisam chegar ao conjunto da pauta

O balanço das seis primeiras rodadas mostra que a negociação pode produzir avanços quando o banco considera as reivindicações apresentadas pela categoria. Foi assim com a retirada do Alcance.Caixa da Promoção por Mérito, a garantia de pagamento dos deltas em janeiro e a suspensão da migração de caixas e tesoureiros. Mas as questões estruturais permanecem abertas, sobretudo o Saúde Caixa, carreira, remuneração variável, teletrabalho, condições de trabalho, recomposição do quadro e proteção dos empregados diante das mudanças organizacionais e tecnológicas.

Para Luiza Hansen, é preciso preservar esse princípio em todas as discussões: decisões que alterem carreira, renda, organização do trabalho ou direitos não podem ser implementadas unilateralmente. A coordenadora da CEE tem reiterado que a Caixa precisa valorizar a mesa de negociação e apresentar soluções capazes de melhorar concretamente a vida de quem trabalha no banco.

Na avaliação de Lívio Santos e Assis, valorização também significa reconhecer o papel decisivo do quadro de pessoal nos resultados e na missão pública da empresa. Saúde Caixa sustentável, carreira com perspectivas, remuneração justa, condições dignas de trabalho e número adequado de empregados não são pautas isoladas: formam uma política de valorização de quem constrói diariamente a Caixa. Em relação à carreira, o dirigente resumiu uma das prioridades da representação: “É preciso consolidar no ACT aquilo que foi construído pela luta sindical.”

A CEE reforça que a mobilização das empregadas e empregados será fundamental para transformar os avanços pontuais em conquistas para o conjunto da categoria e garantir um novo acordo que preserve direitos, valorize o trabalho e fortaleça a Caixa como banco 100% público. A defesa do caráter público da instituição, do Saúde Caixa, do emprego, da carreira, da remuneração justa e de melhores condições de trabalho está entre os eixos aprovados pelo 41º Conecef e levados formalmente à mesa de negociação.

Fonte: Contraf-CUT

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