Destaques Movimento Sindical Campanha Bancos

Fenaban propõe INPC + 0,6% para 2026 e repete ganho real em 2027

30/08/2026

Proposta foi apresentada após cerca de 34 horas de negociação, que atravessou a madrugada e avançou pelo sábado; resultado será submetido às assembleias da categoria. Embora não contemple tudo que a categoria reivindicava, contém avanços importantes diante de um cenário extremamente complexo.

Após mais de 24 horas de negociações ininterruptas entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, é rodada chegou ao fim na tarde deste sábado (29/08) com uma proposta da Federação Nacional dos Bancos que, embora não contemple tudo o que a categoria reivindicava, contém  avanços importantes diante de um cenário extremamente complexo.

Foram 13 rodadas de negociações em quase dois meses, marcadas por tentativas dos bancos de impor reajuste abaixo da inflação, dividir a categoria, retirar direitos, congelar verbas e enfraquecer a mesa única de negociação. Ao final do processo, a proposta assegura reposição integral da inflação (INPC) mais 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, com impacto sobre salários, vales alimentação e refeição, auxílio-creche/babá e PLR, tanto na parcela básica quanto na adicional.

A assembleia de deliberação sobre a proposta será realizada entre os dias 3 (quinta-feira) e 4 de setembro (sexta-feira). Todos os detalhes estarão no edital, que será publicado em breve.

Segue abaixo na íntegra a matéria divulgada pela Contraf-CUT que trás Todas as informações sobre a proposta dos bancos:

Categoria garante aumento real, mantém direitos e alcança novas conquistas; Proposta será submetida às assembleias

Proposta aplica aumento real em todas as cláusulas econômicas (incluindo salários, va/vr e PLR) e traz avanços no combate ao assédio, nos cuidados e proteção com a saúde mental da categoria (a partir da NR-1), o direito à desconexão e encarecimento das demissões

Após um mês e meio de exaustivas negociações, o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários conseguiu derrotar a tentativa dos bancos de impor reajuste abaixo da inflação, que resultaria em perdas reais aos bancários, nos salários e em todas as verbas. A categoria garantiu a reposição total da inflação (INPC), mais aumento real de 0,6%, para 2026 e 2027. A proposta agora será submetida às assembleias, realizadas das 19h de quinta-feira (3) às 19h de sexta-feira (4).

O reajuste será aplicado não só aos salários, como também nas demais verbas, incluindo vales alimentação (VA), refeição (VR), auxílio creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na regra básica quanto na parcela adicional.

Uma das batalhas desta negociação, com muita participação da categoria, foi para manter a mesa única, constantemente atacada pela Fenaban.

O ano 2004 foi o início da mesa única de negociação. Se aprovado nas assembleias, desde então até 2027, a categoria acumulará um reajuste total de 286,5% nos salários, sendo 25% de ganho real. Nos pisos o ganho real será de 47,1%.

"Os bancos tentaram dividir a mesa de negociação, retirar direitos, congelar verbas e impor reajuste abaixo da inflação. Mantivemos a unidade, avançamos para o aumento real e em temas de saúde, melhores condições de trabalho e no encarecimento das demissões”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional, ao final da última rodada, que começou no início da sexta-feira (28), se estendeu pela madrugada e terminou neste sábado (29).

“Sabemos que a categoria tinha uma expectativa de aumento real maior. Foram 13 rodadas exaustivas, onde negamos propostas de reajustes abaixo da inflação, até conseguir a reposição e aumento real. Também enfrentamos a tentativa dos bancos de dividir a mesa de negociação, retirar direitos, congelar verbas, protegendo todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, que tem 85% de suas cláusulas com direitos superiores ou sequer previstos em lei”, completou Juvandia, que também é presidenta da Contraf-CUT.

“A preservação de todos estes direitos, além de novos avanços incluídos nas cláusulas sociais, é fruto da nossa unidade nacional, mobilização e capacidade de negociação. Foi a categoria unida, bancários de bancos públicos e privados, espalhados por todo o país e representados pelo Comando Nacional, que protegeram a nossa CCT nesta campanha e evitaram o arrocho salarial”, completou a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro. 

Além do avanço nas cláusulas econômicas, a categoria avançou em cláusulas relacionadas à:

- Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
- Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (conquistado na Campanha Nacional de 2024) para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
- Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback, com o objetivo de estabelecer gestão ética e humanizada da tecnologia, para proteção aos bancários.
- Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenham seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja para clientes, seja para gestores.
- Paralisação do dia 20 de agosto: A Fenaban garantiu abono do dia de paralisação para as bases que aprovarem as propostas nas assembleias.

Programa de indenização, qualificação e recolocação no mercado de trabalho

Foram acordadas duas medidas, em casos de bancários demitidos devido ao fechamento de agências.

A primeira é a contratação da Gi Group, consultoria internacional que irá elaborar planos para cada trabalhador, com diagnósticos, entrevistas e planos de qualificação e recolocação individualizados.

Os trabalhadores terão ainda acesso a uma plataforma de cursos para qualificação, sendo cadastrados em um banco de talentos, com empresas de todo o Brasil. Assim, a consultoria irá conectar trabalhadores a empresas, conforme as suas competências.

A segunda medida é o aumento da  indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos fecharam 9,5 mil agências. E, somente no primeiro semestre de 2026, foram encerradas 669 agências pelos maiores bancos do país. “Esta é uma importante conquista para encarecer as demissões, realocar o trabalhador demitido no mercado de trabalho e oferecer uma compensação financeira. É mais dinheiro no bolso do bancário em um momento que sabemos ser delicado na vida de qualquer pessoa”, reforçou Juvandia Moreira.

Assembleias

“Em um cenário no qual a categoria não conta com a ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação - direito esse retirado na Reforma Trabalhista de 2017), ao fim do processo negocial, garantir aumento real, manutenção de todos os direitos e conquistas de novas cláusulas é um saldo positivo para a Campanha dos Bancários 2026”, destacou Juvandia Moreira.

Portanto, o Comando e Contraf-CUT orientam que todos participem das assembleias, que serão realizadas das 19h de quinta-feira (3) até às 19h da sexta-feira (4), e precedidas de plenárias de esclarecimentos e debates sobre a CCT.

Se a proposta for aprovada já nas assembleias dos dias 3 e 4, a primeira parcela da PLR será creditada no dia 30 de setembro. 

A inflação (INPC) para a data-base dos bancários (1º de setembro) será divulgada no dia 11 de setembro, quando será possível definir qual será o reajuste total (INPC + 0,6% de aumento real) para salários e demais verbas em 2026.

Fonte: Contraf-CUT

Outras Notícias