Lucro do Santander cresce, mas banco demite

03/02/2009 - Por Bancários CGR

altSindicato questiona se responsabilidade social do banco existe de verdade e se vai além das belas propagandas na televisão


O Santander anunciou na semana passada seu lucro mundial em 2008, mostrando que a crise não atingiu o banco espanhol, ao contrário: nada menos que 8,876 bilhões de euros. Na comparação com o lucro recorrente de 2007, houve um crescimento de 9,4%. O banco adiantou também que vai distribuir 54% dos lucros na forma de dividendos aos acionistas, percentual superior ao liberado no ano anterior.

“Pelo valor apurado, trata-se de um resultado espetacular num momento de crise e, mais ainda, se considerarmos este crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior”, comentou a diretora do Sindicato e funcionaria do banco Rita Berlofa. A sindicalista, porém, faz uma pergunta, para a qual espera uma resposta satisfatória da direção do banco no Brasil. “Como é possível que, com esses resultados e num momento de crise, onde se espera que cada um dê a sua parte para evitar conseqüências mais graves, o banco demita no Brasil centenas de pais e mães de família, de forma cruel e irresponsável? Mais grave quando sabemos que nada menos que 20% do total do lucro vem das operações no nosso país. E o pior é que os boatos falam em novas demissões a serem anunciadas em breve”, desabafa.

Desrespeito – Para Rita, as dispensas, somadas ao cancelamento da negociação que aconteceria nesta quinta, dia 29, para discutir a fusão com o Real e alternativas para evitar demissões, mostra o total desrespeito do banco com o Brasil e com os brasileiros. “Já são sete meses de negociação sem resultados. Apresentamos uma série de propostas para minimizar os efeitos da crise e evitar demissões, para que o banco realmente mostrasse que é socialmente responsável não apenas na propaganda. Mas nada disso foi considerado e a reunião foi simplesmente cancelada. Enquanto isso, os acionistas são premiados com crescimento na distribuição dos dividendos”, lamenta a sindicalista.

Para Rita, a briga dos “peixes grandes” do Real e Santander que lutam pelo poder na nova realidade presente depois da fusão, faz com que os bancários sejam obrigados a viver um clima de medo. “Enquanto os altos executivos se engalfinham na luta pelo poder, a nau fica à deriva e os bancários vivem o desespero de não saber se vão poder sustentar sua família amanhã. Esperamos que o Santander, que tanto dinheiro ganha aqui, mostre respeito ao Brasil e aos brasileiros”, diz.

Seeb-SP - 02/02/2009

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